domingo, 8 de dezembro de 2019

Varicocele - Estudo por Ultrassononografia e por Doppler Colorido

VARICOCELE - ESTUDO POR ULTRASSONOGRAFIA SEM E COM DOPPLER COLORIDO

Varicocele consiste na dilatação das veias dos plexos pampiniformes, correspondendo à principal causa de massa palpável ao exame físico.

Resultado de imagem para varicocele

A varicocele pode ser sintomática ou não. No caso das sintomáticas, pode se apresentar como massa, dor, atrofia testicular ou infertildade.

Existem várias classificações para o estudo da varicocele. Parafraseando um preceptor da minha época de residência em radiologia: "Qualquer método é melhor que nenhum método!". Desta forma incluirei aqui as formas de avaliação mais praticadas na ultrassonografia, com e sem Doppler.

ULTRASSONOGRAFIA SEM DOPPLER

Grau I: Pequena varicocele, com o paciente em ortostatismo medindo aproximadamente 3 a 4 milímetros em repouso e com acréscimo de 1 milímetro às manobras de Valsalva.

Grau II: Moderada varicocele, com o paciente em ortostatismo medindo aproximadamente 4 a 5 milímetros em repouso e com acréscimo de 1,2 a 1,5 milímetro às manobras de Valsalva.

Grau II: Acentuada varicocele, com o paciente em ortostatismo medindo mais que 5 milímetros em repouso e com acréscimo superior a 1,5 milímetro às manobras de Valsalva.

Imagem relacionada
Dilatação das veias do plexo pampiniforme


ULTRASSONOGRAFIA COM DOPPLER

Grau I: refluxo no nível da virilha somente durante a manobra de Valsalva, sem deformação escrotal ou hipotrofia testicular

Grau II: refluxo ao nível do segmento proximal do plexo pampiniforme somente durante a manobra de Valsalva, sem deformação escrotal ou hipotrofia testicular

Grau III: refluxo nos vasos distais no nível do escroto inferior somente durante a manobra de Valsalva, sem deformação escrotal ou hipotrofia testicular

Grau IV: fluxo reverso espontâneo, aumentando durante a manobra de Valsalva, com deformação escrotal e possível hipotrofia testicular

Grau V: refluxo em repouso no plexo pampiniforme dilatado, possivelmente aumentando durante a manobra de Valsalva, sempre acompanhado por hipotrofia testicular

Varicocele com estudo Doppler

TEMPO DE REFLUXO

Com relação ao tempo de refluxo nas veias do plexo pampiniforme é considerado patológico aquele superior a 1 segundo.


Sugestões de laudos:
Como poderão ver a seguir, não escrevo no laudo Bolsa Escrotal, pois o termo Escroto quer dizer: saco musculocutâneo que contém os testículo e os epidídimo. Desta forma, na minha humilde compreensão,  Bolsa Escrotal seria pleonasmo. Desta forma, aconselho escrever Ultrassonografia da Bolsa Testicular ou Ultrassonografia do Escroto.

ULTRASSONOGRAFIA DA BOLSA TESTICULAR

História Clínica/Indicação:
-

Técnica:
- Exame realizado com transdutor linear multifrequencial.

Relatório:
- Testículo direito tópico, de contornos regulares, apresentando ecogenicidade sólida e textura homogênea medindo _ x _ x _ cm (Volume = _ cm³)
- Testículo esquerdo tópico, de contornos regulares, apresentando ecogenicidade sólida e textura homogênea medindo _ x _ x _ cm (Volume = _ cm³)
Normal:12 a 30 cm³
- Epidídimos com volume normal e ecogenicidade preservada.
- Ausência de sinais de hidrocele.
- Ausência de varicocele.

Opinião do Relatório:
-->
- Ausência de alteração detectável pelo método na região examinada.



ULTRASSONOGRAFIA DA BOLSA TESTICULAR COM DOPPLER

História Clínica/Indicação:

Técnica:
- Exame realizado com transdutor linear multifrequencial com estudo Doppler.

Relatório:
- Testículo direito tópico, de contornos regulares, apresentando ecogenicidade sólida e textura homogênea medindo _ x _ x _ cm (Volume = _ cm³). Estudo Doppler evidenciou padrão de vascularização normal do parênquima.
- Testículo esquerdo tópico, de contornos regulares, apresentando ecogenicidade sólida e textura homogênea medindo _ x _ x _ cm (Volume = _ cm³). Estudo Doppler evidenciou padrão de vascularização normal do parênquima.
Normal:12 a 30 cm³
- Epidídimos com volume normal e ecogenicidade preservada.
- Ausência de sinais de hidrocele.
- Ausência de varicocele bem como de sinais de refluxo.

Opinião do Relatório:
- Ausência de alteração detectável pelo método na região examinada.
-->
- Estudo Doppler dentro dos padrões da normalidade.

sábado, 9 de julho de 2016

Translucência Nucal

TRANSLUCÊNCIA NUCAL


Sem sombra de dúvidas, a Obstetrícia foi a especialidade médica que mais obteve benefícios com a ultrassonografia. Um bom exemplo disso é a pesquisa da translucência nucal, que consiste na pesquisa de acúmulo excessivo de líquido na nuca fetal, achado que pode estar relacionado a anomalias cromossômicas, malformações fetais e síndromes genéticas.
No passado, o único parâmetro para atribuir risco para a incidência da síndrome de Down era a idade materna superior a 35 anos. Entretanto apenas cerca de 30% dos fetos com Síndrome de Down nascem de mulheres com mais de 35 anos.
O acúmulo de fluido nucal no primeiro trimestre foi primeiramente descrito por um estudo caso - controle de Szabó & Gellen, que observaram acúmulo superior a 3 mm em todos os fetos com trissomia do cromossomo 21 (sete casos) e em apenas um feto, de um total de 105, com cariótipo normal. Isso proporcionou um avanço do conhecimento no aconselhamento do casal sobre os riscos de anomalias cromossômicas, determinando consideráveis mudanças no diagnóstico pré-natal de primeiro trimestre.

Os mecanismos fisiopatológicos que explicam esse marcador ultrassonográfico transitório ainda não estão bem estabelecidos. Alguns eventos que ocorrem nessa época da gestação poderiam eventualmente esclarecer o acúmulo transitório de líquido na região da nuca do feto, que é atribuído a alterações da drenagem linfática fetal e/ou, particularmente, a distúrbio hemodinâmico do feto devido à insuficiência cardíaca fetal.
A medida da translucência nucal deve ser realizada quando o feto tem entre 45 e 84 mm de comprimento, medindo da cabeça à nádega. Isto corresponde a cerca de 11 a 14 semanas de gestação contadas a partir do primeiro dia da última menstruação. Por questão de experiência própria, sugiro às pacientes que atendo que realizem o exame entre 12 e 13 semanas, pois isso diminui o risco de impossibilidade de estudo devido aos dois extremos da pesquisa. Particularmente, quando realizo o primeiro exame para diagnóstico da gravidez, contraindico o exame próximo à data máxima de 13 semanas e 6 dias, pois qualquer imprevisto na vida particular da paciente que a impossibilite de comparecer ao exame poderá fazer com que se perca a oportunidade da pesquisa.
Consideramos um risco aumentado quando o resultado é igual ou superior a 2,5 mm. Aceita-se que a translucência nucal tenha uma sensibilidade de cerca de 80 a 90%. Isto significa que 80 a 90% dos fetos com a Síndrome de Down serão classificados como “alto risco”. Portanto cerca de 10 a 20% dos fetos com a Síndrome de Down tem medida de translucência nucal normal.

Translucência Nucal normal


Translucência Nucal aumentada

Cabe mais uma vez salientar que a medida da translucência nucal não é um teste do tipo positivo/negativo, ela apenas define qual grupo tem alto ou baixo risco. Ou seja, uma translucência nucal aumentada não fecha  diagnóstico de síndrome de Down ou de qualquer outra síndrome, ela apenas demonstra risco aumentado para isso. Da mesma forma que uma translucência nucal alterada não exclui a possibilidade de Down, ela apenas verifica que o risco é baixo.



Fontes: